A CASA DOS ESPÍRITOS
A CASA DOS ESPÍRITOS Estávamos em julho de 1966. Naquelas férias escolares, vim de Fortaleza — onde morava com minha mãe e meu padrasto — para passar uma temporada no Recife, ao lado da minha avó. Mas talvez o que já habitasse silenciosamente dentro de mim, havia algum tempo, fosse um desejo mais profundo: o de voltar a morar ali definitivamente. Assim que cheguei à pensão administrada pela minha querida avó, ela me levou até o seu quarto e mostrou o presente que me aguardava. Sobre o guarda-roupa, repousava uma linda bicicleta reluzente, como uma promessa suspensa no tempo, esperando apenas que alguém a conduzisse com aquele espírito livre e absoluto que só pertence às crianças. Lembro-me dela até hoje. Era uma Monark, edição especial lançada em homenagem à Copa do Mundo daquele mesmo ano. Modelo: BR-66. Diante daquela recepção calorosa e daquele presente fabuloso, fui imediatamente tomado por uma euforia difí...