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Os Jardins Suspensos da Auroriana

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Os Jardins Suspensos da Auroriana Da esquerda para a direita: Cleón, eu, Tona e, agachado, Ciro Naquele sábado acordei tomado por uma alegria rara, dessas que já despertam dentro da gente antes mesmo que os olhos consigam se abrir por completo. O dia amanhecera luminoso e, diante de mim, parecia existir apenas um vasto território de possibilidades: música, risadas, encontros, cervejas geladas e mais uma daquelas longas tardes nos jardins suspensos do Edifício São Christóvam, na Rua da Aurora, a poucos metros da Avenida Conde da Boa Vista, onde o Ciro passara a morar desde que se casara, no início daquele ano de 1976. O apartamento dele ficava no décimo quinto andar, mas era um andar acima, no décimo sexto, que existia o nosso pequeno território de liberdade. Na parte detrás do edifício havia um terraço ajardinado, uma espécie de mirante urbano suspenso sobre o Recife. Ali, alguns bancos de cimento se alternavam com grandes vasos de cimento colados às paredes, cheios de areia e plantas ...

A Estrada, o Sol e os Lobos

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  A Estrada, o Sol e os Lobos Dedicatória          Dedico este conto àqueles que caminharam comigo sob o sol impiedoso daquela estrada interminável.     Ao Jorge e ao Caneca, companheiros de juventude, de loucuras, de sonhos musicais e de imprudências que somente a adolescência é capaz de transformar em epopeia. Sem vocês, aquela aventura jamais teria existido. E sem a memória de vocês, ela jamais poderia ter sido contada. Foi embalado pelo estrondo que o Rock provocara no mundo, naquele início vertiginoso dos anos 1960, que eu e Jorge compramos os nossos primeiros violões. Os chamados “conjuntos” começavam a surgir por toda parte. Primeiro vieram Os Beatles, depois os Os Rolling Stones, e logo em seguida a nossa Jovem Guarda, que transformou a juventude brasileira numa legião de rapazes sonhando com guitarras elétricas, topetes, amplificadores e canções de amor. Foi nesse tempo que começamos a arrancar dos violões os nossos primeiros acordes tort...