Entre Dois Rios e Nenhum Tempo (A Conspiração Aurora)
Entre Dois Rios e Nenhum Tempo A Conspiração Aurora — Plano TXT em ação! Foi essa a senha, quase solene, que ouvi ao telefone por volta das onze da noite, numa primavera qualquer que ainda hoje insiste em não envelhecer dentro de mim. O telefone ficava estrategicamente ao lado do meu chefe — o lendário Mestre Timba — soberano absoluto daquela sala de digitação no oitavo andar do prédio do Bandepe, no Recife Antigo. Dali ele regia, com olhar atento e uma paciência quase burocrática, o balé mecânico das teclas e dos números. Eu cumpria o turno da noite — das sete da noite à uma da madrugada — naquela rotina de códigos, cheques, fichas e dados que, àquela altura da vida, já nos parecia excessivamente comportada para o tanto de inquietação que carregávamos. Mas naquela noite, havia um plano. Eu e Ciro havíamos combinado, com a seriedade própria das grandes conspirações inúteis, escapar mais cedo do trabalho. O destino: as margens do Capibaribe, naquele ponto em que ele encontra o Beb...