Os Jardins Suspensos da Auroriana
Os Jardins Suspensos da Auroriana Da esquerda para a direita: Cleón, eu, Tona e, agachado, Ciro Naquele sábado acordei tomado por uma alegria rara, dessas que já despertam dentro da gente antes mesmo que os olhos consigam se abrir por completo. O dia amanhecera luminoso e, diante de mim, parecia existir apenas um vasto território de possibilidades: música, risadas, encontros, cervejas geladas e mais uma daquelas longas tardes nos jardins suspensos do Edifício São Christóvam, na Rua da Aurora, a poucos metros da Avenida Conde da Boa Vista, onde o Ciro passara a morar desde que se casara, no início daquele ano de 1976. O apartamento dele ficava no décimo quinto andar, mas era um andar acima, no décimo sexto, que existia o nosso pequeno território de liberdade. Na parte detrás do edifício havia um terraço ajardinado, uma espécie de mirante urbano suspenso sobre o Recife. Ali, alguns bancos de cimento se alternavam com grandes vasos de cimento colados às paredes, cheios de areia e plantas ...