Perto da Borda
Perto da Borda Saímos naquela manhã do Colégio Esuda com a leveza de quem acabara de atravessar mais uma prova — não apenas escolar, mas quase iniciática. Era o ano mágico de 1972, e havia no ar uma promessa difusa, como se o mundo estivesse prestes a se revelar de outra maneira. O Colégio Esuda tinha uma história que eu só compreenderia plenamente muitos anos depois. Havia sido criado por dois amigos, Wilson José Macedo Barreto e Pedro Emanuel Barreto Muniz, que transformaram a própria amizade em um projeto de educação e deram à instituição um nome que guardava essa origem: ESUDA — Espírito Santo Uniu Dois Amigos. Wilson era nosso professor de Física; Pedro, de Biologia. Eu tive, portanto, o privilégio de ser aluno dos dois fundadores, embora naquele tempo não pudesse imaginar o lugar que aqueles dois homens ocupariam na memória de uma época tão singular da minha vida. Passava das dez e meia quando encontrei Aroldo Bispo à porta do colégio. Sem grandes cerimônias, como convém às...