Nelson, de Aracaju a Bahia
"Naquele sábado, havíamos nos preparado para irmos a um dos bailinhos da cidade. Vestimos as nossas melhores “becas”, todas elas, obviamente, estampadas em xadrez ou com listras nas cores mais diversas, como se aquelas cores gritassem por nós aquilo que ainda não sabíamos dizer. Elas haviam sido confeccionadas pelo nosso grande alfaiate Macedo, uma das bichas mais desvairadas daqueles tempos, figura quase mítica naquele pequeno universo de vaidades juvenis. Como de costume, nos encontramos na esquina da Rua Sete de Setembro, local que normalmente funcionava não só como ponto de encontro, mas também de onde se davam as partidas e chegadas — uma espécie de portal onde a vida começava e recomeçava a cada noite. Hoje em dia, com essa história do “politicamente correto”, o mundo ficou mais chato e careta e as pessoas já não podem mais falar esse tipo de coisa, como chamar alguém de bicha, por exemplo, pois isso pode revelar preconceito e dar até cadeia já que o indivíduo pode ser cha...